O que é a PAF-TTR?: Introdução
Embora a PAF-TTR seja classificada como uma doença rara, considerando a sua origem genética associada à população portuguesa, é importante que os profissionais de saúde dos cuidados de saúde primários estejam alertados para esta patologia. É especialmente importante dado que a esperança de vida é em média de apenas 10 anos após o início dos sintomas;1 a PAF-TTR é uma doença progressiva e irreversível.2-4
Também é importante salientar que nas regiões endémicas de Portugal, de acordo com um estudo 87% dos portadores da mutação genética manifestaram sinais e sintomas da PAF-TTR antes dos 40 anos.5 A idade média de início foi de 33,5 anos.5,6
- Em França, os familiares que herdam o gene anormal têm cerca de 14% de probabilidade de desenvolverem sintomas por volta dos 50 anos7
- Os portadores suecos têm a probabilidade mais baixa de desenvolverem sintomas: 11% por volta dos 50 anos7
A PAF-TTR pode ocorrer quando uma pessoa herda uma mutação no gene da transtirretina (TTR)8
- A TTR é sintetizada principalmente no fígado 3,5
- Verificou-se que mutações no gene TTR causam a PAF-TTR 3,4
- Foram descritas mais de 100 mutações diferentes do gene TTR. A mais frequente é a mutação V30M2,3
- O gene mutante é responsável pela produção de fibrilhas amilóides3,4
- As fibrilhas de amilóide depositam-se nos tecidos nervosos periférico e autónomo, resultando na neurodegenerescência e declínio da função neurológica.5
- A deposição de fibrilhas de amilóide resulta numa neuropatia sensório-motora disto-proximal com sintomas autonómicos9
- A presença de uma forma mutante de TTR nem sempre causa a amiloidose5,9

Como se desenvolve a PAF-TTR?3-5,9
A transtirretina é um tetrâmero constituído por quatro monómeros idênticos. As mutações genéticas no gene que codifica a transtirretina podem dar origem a uma variante patogénica da proteína. No caso da PAF-TTR, o tetrâmero mutante da transtirretina é instável causando a dissociação do tetrâmero em monómeros. Os monómeros individuais agregam-se depois em fibrilhas amilóides. As fibrilhas amilóides depositam-se nos tecidos nervosos periféricos e autónomos e em órgãos, como os rins e o coração, resultando na neurodegeneração progressiva e irreversível e em lesão de órgãos.
